Selic a 2,25% onde investir ?

Onde estão os melhores investimentos do mercado?

[Selic a 2,25% onde investir ?]

Confirmando as expectativas do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) cortou nesta quarta-feira a taxa Selic em 0,75 ponto percentual, renovando a mínima histórica para 2,25% ao ano.

No novo patamar da taxa básica de juros, um investimento de R$ 10 mil em um fundo DI irá render, em um ano, cerca de 1,86%, com o investidor embolsando R$ 186, descontado o Imposto de Renda. Se a escolha for pela poupança, o rendimento cai para 1,57% em 12 meses, abaixo da inflação projetada para este ano, de 1,60%.

Em um cenário em que o CDI está, e deve ficar por um bom tempo, bem abaixo do padrão histórico, a busca por ativos de maior retorno (e volatilidade), que já estava em curso antes da crise, aos poucos volta a dar as caras.

Esse é o caminho inevitável que gestores de patrimônio enxergam para os investidores brasileiros. Naturalmente, em um momento em que as incertezas ainda são elevadas, a cautela tende a ser maior. O foco, contudo, precisa estar mais voltado para o médio e longo prazo, alertam os especialistas.

Desde que o investidor esteja disposto a buscar ativos com maior prazo de vencimento, em que pese a Selic no piso histórico, ainda há prêmios atraentes até mesmo entre os títulos públicos de risco soberano.

“A renda fixa não morreu”, diz Dennis Kac, CIO da Brainvest Wealth Management no Brasil. “Mas o investidor precisa procurar um pouco melhor para encontrar boas oportunidades.”

Caio Mercadante, estrategista chefe do BNP Paribas Wealth Management, tem recomendado aos clientes, dentro da renda fixa, a alocação em títulos indexados à inflação (Tesouro IPCA+, antes conhecido por “NTN-B”) de prazo intermediário, com vencimentos em 2025 ou 2030.

“Embora a inflação não represente um risco no radar, ao alongar um pouco o horizonte, a alta dos preços não pode ser descartada, em um ambiente de desequilíbrio fiscal na esteira da pandemia”, diz Mercadante.

Segundo o estrategista, é comum na base de clientes da casa uma preocupação maior com o rendimento real, acima da inflação, do que com o retorno nominal, obtido via títulos prefixados.

“Receber um juro real de 3% de uma NTN-B para 2028, com um juro nominal de 2,25% pago pela Selic, não parece mau negócio”, diz Kac, da Brainvest, complementando que a alocação em ativos prefixados ou indexados à inflação na gestora varia de acordo com o perfil de risco do cliente. “Na teoria, os títulos indexados à inflação são mais defensivos, embora também tenham sofrido bastante na crise.”

Renda variável


Caso a escolha do investidor seja por um fundo “puro” de ações “long only”, a seleção do gestor é fundamental para obter um resultado satisfatório, lembra o CIO da Brainvest no Brasil.

Embora no curto prazo a Bolsa ainda deva balançar bastante com a volatilidade acima da média observada nos mercados, Kac acredita que, em um horizonte de 18 a 24 meses, o investimento em ações é uma boa opção.

“Em momentos de crise surgem diversas oportunidades, e o investidor precisa ter paciência para que o valor do ativo convirja para o preço-justo.”

Mercadante, do BNP Paribas, diz que a estratégia na casa tem sido se valer dos momentos de maior volatilidade da Bolsa para aproveitar as distorções geradas. “Preferimos atuar quando ocorrem as quedas mais abruptas, com uma visão voltada para o longo prazo.”

Em março, recorda o especialista, na fase mais aguda da crise, a decisão da casa foi orientar os clientes a manter ou aumentar a exposição em ações. E mesmo para quem ainda não entrou na Bolsa, não é tarde demais, diz o estrategista.

O patamar inédito dos juros no país e o fortalecimento das empresas sobreviventes no pós-pandemia, com aumento dos lucros em detrimento das concorrentes que devem ficar pelo caminho, tornam o investimento em ações uma alternativa interessante, mesmo após a recuperação recente dos preços, diz Mercadante.

O mix no portfólio de ações do BNP Paribas Wealth engloba desde ações não cíclicas, menos vulneráveis às oscilações do cenário, e mais defensivas, como também empresas de maior alavancagem, afirma o estrategista, que, por politicas internas da casa, não pode citar nomes de empresas. “Reforçamos recentemente o setor de bancos na carteira.”

Pela alta descorrelação com as demais posições no portfólio, Mercadante cita ainda o investimento no exterior, desde que com alguns cuidados. “Atualmente, temos preferido a alocação internacional com a proteção cambial”, diz ele.

A projeção do banco francês para o dólar em dezembro é de R$ 4,50, portanto, uma exposição global sem o hedge cambial corre o risco de ver boa parte da rentabilidade corroída pela valorização do real, explica o especialista.

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